A pesada chuva que caia lá fora era observada por um pequeno garoto com olhos gulosos para pular a janela e ir se molhar na água gelada que precipitava. Ele era impelido apenas pelo pesado vidro que formava uma impenetrável cortina, separando o limitado mundo de sua sala e o infinito do lado de fora.
A casa estava escura, mesmo com a luz da sala acesa, e sombria com o característico ar depressivo de um dia chuvoso. A mãe, uma mulher de meia idade devastada pelo estresse de criar dois filhos, cuidar da casa e trabalhar, fumava tranquila na cozinha após lavar a louça e passar pano no chão. Era um de seus poucos momentos de descanso, já que estava de folga do serviço e o marido estava fora a trabalho.
O filho mais velho, um garoto aparentemente normal e feliz, estava em seu quarto... mas não estava dormindo ou estudando, estava desesperado! Não conseguia manter mais a calma e a serenidade, não conseguia mais ficar em paz consigo mesmo! Tudo era uma grande tortura e, como seus pais não acreditavam na baboseira que ele poderia realmente ter problemas, não se sentia mais à vontade para poder desabafar e aliviar sua mente.
Enquanto a chuva caia, o garoto deu um fim a todo seu sofrimento, ingerindo uma grande dose de um veneno de ação rápida. Com a intensidade da chuva, seus últimos suspiros não foram ouvidos. Somente restou à sua família lamentar por não tê-lo ouvido e aplicar o conhecimento adquirido no pequeno garoto de olhos gulosos pelo mundo lá fora.
P.S.: A solução dita mais estúpida é sempre a mais difícil. Seria uma espécie de contradição à ideia de que o caminho mais fácil nem sempre é o melhor?
P.S.²: Dias escuros e chuvosos sempre inspiram os pensamentos e sensações mais trágicos...
P.S.³: Alguma dúvida? Clique aqui e saiba mais!
sábado, 23 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Cigarros, Pornô e Rotina
Tão bom sentar na varanda do meu apartamento e fumar um cigarro enquanto observo aquelas simplórias e medíocres pessoas passando lá embaixo, cada uma com uma preocupação, um sentimento bom ou ruim. Há 25 anos que essa é minha rotina após um cansativo dia de trabalho. Quando eu me aposentar, se conseguir me aposentar, é capaz de eu ficar aqui sentada o dia inteiro, só pensando que eu deveria ter arrumado um namorado, ao invés de ir para a carreira de atriz pornô.
No começo foi muito bom, confesso. Eu transava com homens muito interessantes e exóticos. Eu realmente chegava ao orgasmo... Mas essa rotina me cansou, eu não conseguia mais me manter motivada para aquilo tudo; foi aí que descobri algo que me animava e deixava elétrica: a cocaína! Era só jogar o pó em cima da mesa, arrumar com qualquer tipo de cartão, mandar e pronto! Eu estava pronta para gravar umas três ou quatro cenas no mesmo dia! Mas nem tudo foi tão bom...
Após alguns anos, começaram a me jogar para cenas bizarras, afinal, uma velha drogada já não excitava mais as pessoas comuns, somente aos mais insanos, doentes e perversos. Até mesmo zoofilia eu já fiz! Agora só fico como coadjuvante, faço papel de sogra ou de alguém que morre por overdose ou nas mãos de traficantes, que me "estupram" antes de terminar o serviço.
Enfim, já terminei meu terceiro cigarro e vou tomar um banho enquanto degusto um uísque barato, pois é o que sobra para me fazer dormir melhor.
P.S.: As rotinas e bizarrices estão presentes na vida de qualquer pessoa. Em algumas, temos casos extremos, que rendem histórias ótimas apesar da tristeza.
P.S.²: Alguma dúvida? Clique aqui e saiba mais!!!
No começo foi muito bom, confesso. Eu transava com homens muito interessantes e exóticos. Eu realmente chegava ao orgasmo... Mas essa rotina me cansou, eu não conseguia mais me manter motivada para aquilo tudo; foi aí que descobri algo que me animava e deixava elétrica: a cocaína! Era só jogar o pó em cima da mesa, arrumar com qualquer tipo de cartão, mandar e pronto! Eu estava pronta para gravar umas três ou quatro cenas no mesmo dia! Mas nem tudo foi tão bom...
Após alguns anos, começaram a me jogar para cenas bizarras, afinal, uma velha drogada já não excitava mais as pessoas comuns, somente aos mais insanos, doentes e perversos. Até mesmo zoofilia eu já fiz! Agora só fico como coadjuvante, faço papel de sogra ou de alguém que morre por overdose ou nas mãos de traficantes, que me "estupram" antes de terminar o serviço.
Enfim, já terminei meu terceiro cigarro e vou tomar um banho enquanto degusto um uísque barato, pois é o que sobra para me fazer dormir melhor.
P.S.: As rotinas e bizarrices estão presentes na vida de qualquer pessoa. Em algumas, temos casos extremos, que rendem histórias ótimas apesar da tristeza.
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
As Duas Mães
Consegue sentir isso? É a insanidade tomando conta! Ah! Como ela nos revigora!! Sinto como se tivesse nascido ainda agora! Mas espere! O que é isso? Há hienas correndo atrás de mim! As gargalhadas ecoam em minha mente recém-nascida e essa escuridão impede que meus novos olhos enxerguem por onde estou correndo. Não consigo me desesperar de medo, pelo contrário, quero desesperadamente gargalhar com essas hienas enquanto elas arrancam generoso pedaços da minha jovem e macia carne.
Vou fechar os olhos e esperar que elas me mordam. Ué?! Não as ouço ou sinto! Foram embora? Hey! O que é isso? Há mãos me agarrando, me abraçando... já sei! É a própria escuridão demonstrando que me ama como uma mãe ama o filho. Que abraço gostoso, tênue e sem alegria, apenas demonstra um sofrido amor. É nesse abraço que quero me criar.
Ainda de olhos fechados enquanto sou abraçado, lembro de todas as coisas ruins que aconteceram comigo antes de renascer, e após também, já que fui perseguido por aquelas malditas hienas.
Estou chorando em silêncio. Não quero que minha nova mãe se preocupe comigo, quero apenas continuar nesse abraço para todo o sempre. Posso dizer, com orgulho, que tenho duas mães: a escuridão e a insanidade. Uma me abraça deliciosamente e a outra guia meus passos.
P.S.: Nascemos e renascemos diversas vezes durante nossa simplória vida. Em cada renascimento, uma nova mãe nos é dada para guiar nossos passos e evitar que cometamos erros em cada aspecto de nossa vida. Algumas pessoas podem dizer que a mãe é culpada pela derrota sofrida, mas a verdade é que não aprenderam nada com a anterior, ou seja, serão sempre inferiores e fracassados.
P.S.²: Mal renascemos e já temos hienas em nossos calcanhares rindo e nos retirando dolorosamente cada pedaço. Certas vezes, essas hienas estão mais próximas do que pensávamos, se passando por lindos filhotes de cães.
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
Árduos Questionamentos De Uma Mente Ociosa
Se somos iguais a um criador divino e somente Ele tem o poder de nos julgar, por que somos tão egoístas a ponto de querermos ser Ele, com todo esplendor, e julgarmos o próximo? Por que somos ensinados a não discriminar se, na hora de colocarmos em prática, somos repreendidos? Se o dinheiro não é tudo, por que fazemos de tudo para tê-lo? Por que nos questionamos e nos revoltamos se não vamos mover um músculo sequer para mudar a situação?
Por que existem leis de igualdade se aos ricos não é aplicada? Se os políticos nos incomodam tanto, e teoricamente temos poder, por que não os expulsamos de seus cargos ou escolhemos melhor? Se o povo não é culto e usa uma linguagem mais simples, por que não usar tal linguagem nos planos de governo? A manipulação da massa ignorante realmente vale a pena? Se a educação é tudo, por que não fazem nada para melhorá-la? Se os governantes tem um "coração" que já sofreu as dores da vida, por que seguir o caminho daqueles que causaram tal sofrimento?
Se o nosso "coração" necessita de amor, por que ninguém consegue nos oferecer tal sentimento? Por que retribuímos nosso sofrimento como amargor a quem não tem nada a ver com isso? O egoísmo chegou a tal ponto que só queremos atenção sem retribuir de alguma forma? Se o amor nos faz tão bem quanto dizem os otimistas, por que dói tanto quanto dizem os poetas?
Três assuntos que todos se vangloriam por achar entender, mas que a maioria cai em contradição ao tentar responder qualquer uma dessas tolas questões.
P.S.: Questões dignas de uma daquelas propagandas veiculadas na tevê para que possamos aprimorar nosso conhecimento assistindo um mero canal educativo.
P.S.²: Para variar, temos presente no texto questões sobre a indiferença ao próximo. Não irei desistir de bater nessa tecla tão cedo!
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Redenção
Em uma escura, úmida e fria cela um homem se encontrava. Estava sentado no chão, um dos joelhos dobrados, um dos braços esticado, e apoiado nesse joelho, e cabeça baixa. Seu rosto estava escondido pelo surrado capuz marrom. Já estava ali há uns dois ou três dias e aguardava com angústia sua execução. O crime que cometera? Ir contra aquilo que todos achavam normal em sua época; discordava das matanças por diferenças religiosas e até mesmo de alguns dogmas de sua santa Igreja e não escondia sua opinião de ninguém, mas também não era do tipo que saia a bradá-la pelos quatro cantos de sua cidade, apenas a libertava na hora em que era questionado.
Mesmo tomando o cuidado de não se deixar falar sobre assuntos polêmicos, foi preso e condenado à morte por ser considerado um perigo à sociedade devido a seus atos ditos criminosos como, por exemplo, reunir os amigos em um horário não convencional apenas para jogar cartas e conversar. Além de ser preso, foi torturado em praça pública no ato da prisão, levando diversas chibatadas, socos, pontapés e cusparadas. Sua mulher tentou intervir e foi morta ali mesmo, em sua frente, assim como seu filho, que fora sacrificado com a desculpa de carregar o sangue rebelde.
O desespero tomou conta de sua alma durante o primeiro dia, fazendo com que ele gritasse por horas, amaldiçoando aquele mundo injusto. No segundo dia já não aguentava mais, o sentimento agora era de culpa; se não tivesse sido diferente de todo o resto, estaria agora com sua mulher e seu filho. Implorou por perdão divino diversas vezes. Após muita luta, ele acabou aceitando o próprio destino e resolveu apenas esperar sua punição em silêncio.
Durante a madrugada do dia de sua execução, o homem, que não conseguia dormir tamanho desespero, olhou para cima e viu o que se acredita ser o anjo da morte. A figura era imponente, armadura e asas da cor do mais puro sangue e cabelos dourados; sua face era de traços suaves, mas possuia expressão forte e decidida. Não disse nada, apenas estendeu a mão ao angustiado rapaz, que lhe deu a mão e não mais sentiu angústia ou dor, apenas tranquilidade e a certeza de que em poucos momentos estaria novamente com seus amados e que não deveria se arrepender do que fez em vida, e sim ter orgulho! Libertou a vida de muitas pessoas sem que derramasse uma única gota de sangue para chamar a atenção. A morte de sua família foi apenas consequência da ignorância humana em relação ao diferente.
*Algumas "cenas" desse texto foram concebidas tendo como inspiração a canção "Late Redemption", da banda Angra. Mas o texto se torna distante da ideia da música ou do álbum do qual essa música faz parte.
** Digo cenas por pensar primeiro em imagens e depois transcrevê-las, colocando alguma história para elas.
P.S.: O mundo é injusto, mas já foi pior. Aos poucos, as pessoas mais corajosas derramam o próprio sangue, causando uma dor temporária que faz com que os ditos cidadãos pensem e mudem alguns aspectos de tolerância. Pena que a satisfação dos atos cria o oceano de esquecimento coletivo e tudo volte a ser como era até a próxima onda negra de dor.
P.S.²: Sim, este mundo só está se afogando em caos por não aceitação ao próximo.
P.S³: Dúvidas? Reclamações? Errei em algo? Então clique aqui e saiba mais.
Mesmo tomando o cuidado de não se deixar falar sobre assuntos polêmicos, foi preso e condenado à morte por ser considerado um perigo à sociedade devido a seus atos ditos criminosos como, por exemplo, reunir os amigos em um horário não convencional apenas para jogar cartas e conversar. Além de ser preso, foi torturado em praça pública no ato da prisão, levando diversas chibatadas, socos, pontapés e cusparadas. Sua mulher tentou intervir e foi morta ali mesmo, em sua frente, assim como seu filho, que fora sacrificado com a desculpa de carregar o sangue rebelde.
O desespero tomou conta de sua alma durante o primeiro dia, fazendo com que ele gritasse por horas, amaldiçoando aquele mundo injusto. No segundo dia já não aguentava mais, o sentimento agora era de culpa; se não tivesse sido diferente de todo o resto, estaria agora com sua mulher e seu filho. Implorou por perdão divino diversas vezes. Após muita luta, ele acabou aceitando o próprio destino e resolveu apenas esperar sua punição em silêncio.
Durante a madrugada do dia de sua execução, o homem, que não conseguia dormir tamanho desespero, olhou para cima e viu o que se acredita ser o anjo da morte. A figura era imponente, armadura e asas da cor do mais puro sangue e cabelos dourados; sua face era de traços suaves, mas possuia expressão forte e decidida. Não disse nada, apenas estendeu a mão ao angustiado rapaz, que lhe deu a mão e não mais sentiu angústia ou dor, apenas tranquilidade e a certeza de que em poucos momentos estaria novamente com seus amados e que não deveria se arrepender do que fez em vida, e sim ter orgulho! Libertou a vida de muitas pessoas sem que derramasse uma única gota de sangue para chamar a atenção. A morte de sua família foi apenas consequência da ignorância humana em relação ao diferente.
*Algumas "cenas" desse texto foram concebidas tendo como inspiração a canção "Late Redemption", da banda Angra. Mas o texto se torna distante da ideia da música ou do álbum do qual essa música faz parte.
** Digo cenas por pensar primeiro em imagens e depois transcrevê-las, colocando alguma história para elas.
P.S.: O mundo é injusto, mas já foi pior. Aos poucos, as pessoas mais corajosas derramam o próprio sangue, causando uma dor temporária que faz com que os ditos cidadãos pensem e mudem alguns aspectos de tolerância. Pena que a satisfação dos atos cria o oceano de esquecimento coletivo e tudo volte a ser como era até a próxima onda negra de dor.
P.S.²: Sim, este mundo só está se afogando em caos por não aceitação ao próximo.
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terça-feira, 6 de julho de 2010
Composto Cardíaco
Quão longe a necessidade do "coração" por alguém pode chegar? E quando esse "coração" encontra o seu alguém e esse tenta se retirar dele, ou lhe é tirado por alguma peripécia do destino, quanto tempo a marca ficará? Quantos atos de atrocidade o "coração" pode aguentar?
Perguntas muitas vezes sem respostas... o mais fácil, para alguns, é simplesmente tentar esquecer tudo, começar de novo. Mas, quantas vezes o dito órgão responsável pelos sentimentos pode ser reiniciado? Com certeza ele é danificado a cada recomeço. As cicatrizes ficam ali, impedindo que as pessoas cometam os mesmos erros ou, pelo menos, tentando impedir.
Dizem, também, que esse órgão é responsável pela bondade de cada ser. As cicatrizes acabam que por formar amarras que prendem essa bondade e a transformam em uma mistura de mágoa, dor e escuridão. Quando elas não suportam mais, deixam vazar um pouco desse triste composto e a pessoa sucumbe ao desespero. Tudo que estava preso começa a vir a tona em doses que variam para cada criatura; algumas recebem uma dose suficiente para darem o pior desfecho nessa situação, outras recebem doses que só fazem aumentar o número de "amarras", deixando o composto ainda mais concentrado.
A necessidade do "coração" é, na verdade, por alguém que o ajude a manter-se amarrado. Algumas vezes ele irá vazar, mas em doses minúsculas, que não afetarão tanto a pessoa por estarem dissolvidas em algumas gotas de esperança injetadas pelo alguém. Se esse alguém lhe é tirado, as amarras afrouxam e o composto vaza de uma vez, até quase se esgotar. Formam-se cicatrizes mais resistentes e o pouco da mistura que fica receberá mais algumas gotas de esperança de outra pessoa. Isso não impede o composto de ficar concentrado com o tempo, mas ele demorará mais.
E assim, essa máquina envolta em carne e amarras pode suportar diversos atos de atrocidade. Não há uma quantidade certa de atos, pois depende da concentração da mistura. Uma solução para tudo isso talvez seja sucumbir a algumas vontades desse concentrado, controlando o desespero, usando a escuridão a seu favor e tendo a mágoa como inspiração.
P.S.: Essa mistura insiste em vazar... e insisto em tentar usá-la.
P.S.²: Deseja saber mais sobre o blog? Clique aqui!
Perguntas muitas vezes sem respostas... o mais fácil, para alguns, é simplesmente tentar esquecer tudo, começar de novo. Mas, quantas vezes o dito órgão responsável pelos sentimentos pode ser reiniciado? Com certeza ele é danificado a cada recomeço. As cicatrizes ficam ali, impedindo que as pessoas cometam os mesmos erros ou, pelo menos, tentando impedir.
Dizem, também, que esse órgão é responsável pela bondade de cada ser. As cicatrizes acabam que por formar amarras que prendem essa bondade e a transformam em uma mistura de mágoa, dor e escuridão. Quando elas não suportam mais, deixam vazar um pouco desse triste composto e a pessoa sucumbe ao desespero. Tudo que estava preso começa a vir a tona em doses que variam para cada criatura; algumas recebem uma dose suficiente para darem o pior desfecho nessa situação, outras recebem doses que só fazem aumentar o número de "amarras", deixando o composto ainda mais concentrado.
A necessidade do "coração" é, na verdade, por alguém que o ajude a manter-se amarrado. Algumas vezes ele irá vazar, mas em doses minúsculas, que não afetarão tanto a pessoa por estarem dissolvidas em algumas gotas de esperança injetadas pelo alguém. Se esse alguém lhe é tirado, as amarras afrouxam e o composto vaza de uma vez, até quase se esgotar. Formam-se cicatrizes mais resistentes e o pouco da mistura que fica receberá mais algumas gotas de esperança de outra pessoa. Isso não impede o composto de ficar concentrado com o tempo, mas ele demorará mais.
E assim, essa máquina envolta em carne e amarras pode suportar diversos atos de atrocidade. Não há uma quantidade certa de atos, pois depende da concentração da mistura. Uma solução para tudo isso talvez seja sucumbir a algumas vontades desse concentrado, controlando o desespero, usando a escuridão a seu favor e tendo a mágoa como inspiração.
P.S.: Essa mistura insiste em vazar... e insisto em tentar usá-la.
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terça-feira, 22 de junho de 2010
Marcha Fúnebre
Uma noite fria e triste. Por uma ruela seguia uma multidão, em silêncio, diretamente para o cemitério. Nenhuma das pessoas ali presentes eram normais (segundo o que a comunidade local definiu como normal), inclusive o morto. Aquela marcha era para enterrar o líder de uma gangue. Por incrível que pareça, a gangue não era ruim. Era boa. Os membros todos ajudavam no que podiam a melhorar aquela imunda e fria cidade. Mas eram vítimas do preconceito. Eram tachados de vândalos e bandidos apenas pelo visual. Nunca sequer machucaram uma pessoa de bem. Só lutavam para se defender.
Em uma outra noite fria, eles estavam apenas sentados bebendo. Alguém passou e tropeçou em uma das garrafas. O que se ouviu à seguir foram palavras estúpidas. E o que veio a seguir foi algo estúpido. Um som idiota se fez ouvir. Um baque idiota também. Era o fim de uma boa pessoa.
No quente dia seguinte, as pessoas comemoraram. Para essas pessoas, era o fim de mais um diferente. O medo as fez desejarem o seu fim. Saíram às ruas para festejar, enquanto os outros estavam a lamentar. Impediram um simples velório; não queriam ver os estranhos. Com o entardecer, resolveram permitir que as portas do inferno se abrissem mais uma vez para que enterrassem o pobre demônio. Foi como um toque de recolher. Apenas os demônios na rua, as pessoas de bem trancadas em suas casas, assistindo de suas janelas. Uma ou outra ofensa foi proferida, mas ninguém lá fora se preocupou com isso.
Estava feito. Satanás estava enterrado. A comunidade estava livre de mais um bandido, mas não era o suficiente. A caça aos outros membros da gangue foi declarada. Em pouco tempo, todos foram humilhados, espancados e trancafiados. A comunidade finalmente tinha se juntado em prol de algo! Era o desejo daquele assassinado injustamente. Algum tempo depois, a população daquela cidade sofreu a maior onda de violência desde antes do surgimento daquela gangue. Perceberam o erro, mas já era tarde demais.
P.S.: Apenas mais um texto sobre pré-julgamentos baseados em visual. O mundo ignora os normais, clama por diferenças e ataca quem não é igual a ele. Há alguma coisa errada...
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Em uma outra noite fria, eles estavam apenas sentados bebendo. Alguém passou e tropeçou em uma das garrafas. O que se ouviu à seguir foram palavras estúpidas. E o que veio a seguir foi algo estúpido. Um som idiota se fez ouvir. Um baque idiota também. Era o fim de uma boa pessoa.
No quente dia seguinte, as pessoas comemoraram. Para essas pessoas, era o fim de mais um diferente. O medo as fez desejarem o seu fim. Saíram às ruas para festejar, enquanto os outros estavam a lamentar. Impediram um simples velório; não queriam ver os estranhos. Com o entardecer, resolveram permitir que as portas do inferno se abrissem mais uma vez para que enterrassem o pobre demônio. Foi como um toque de recolher. Apenas os demônios na rua, as pessoas de bem trancadas em suas casas, assistindo de suas janelas. Uma ou outra ofensa foi proferida, mas ninguém lá fora se preocupou com isso.
Estava feito. Satanás estava enterrado. A comunidade estava livre de mais um bandido, mas não era o suficiente. A caça aos outros membros da gangue foi declarada. Em pouco tempo, todos foram humilhados, espancados e trancafiados. A comunidade finalmente tinha se juntado em prol de algo! Era o desejo daquele assassinado injustamente. Algum tempo depois, a população daquela cidade sofreu a maior onda de violência desde antes do surgimento daquela gangue. Perceberam o erro, mas já era tarde demais.
P.S.: Apenas mais um texto sobre pré-julgamentos baseados em visual. O mundo ignora os normais, clama por diferenças e ataca quem não é igual a ele. Há alguma coisa errada...
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