quinta-feira, 31 de março de 2011

Curta 4: A Tristeza

Roupas acinzentadas, olhos inchados, cabelos desgrenhados. Sua face pálida e sem expressão a observar o nada pela janela. Uma lágrima escorrega gentilmente por seu rosto. Suas mãos sempre unidas e próximas ao coração, como se estivesse sempre em uma prece esperançosa por alívio de alguma dor sufocante.  És bela mesmo assim! Muitos a repudiam, a dopam, a maltratam, tentam se livrar dela dos mais variados métodos. Tudo em vão! Ela sempre volta. Quando menos se espera, ela está a olhar pela janela novamente; às vezes sem saber o por quê. E, para quem sabe como lidar com tamanha responsabilidade, deixa após ir embora a sobriedade, o conhecimento, a força necessários para lidar com todas as dificuldades impostas por suas irmãs (tão cruéis aos fracos quanto ela). E mais uma lágrima gentilmente escorrega por seu rosto.


P.S.: Tão bela, tão selvagem, tão sedutora! E, ao mesmo tempo, tão cruel. Não é à toa que estou apaixonado por ela!
P.S²: Alguma dúvida sobre o blog? Clique aqui e saiba mais!!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Conhaque, Lágrimas e Paisagens

E lá estava o velho poeta sentado à sua escrivaninha, em frente à janela, fumando uma de suas cigarrilhas e vendo o sol encostar no mar de maneira majestosa. Essa era sua rotina já há muitos anos: sentar e ver os dias passarem; anotar alguns pensamentos sem pretensão alguma, já que ninguém irá ler, e lembrar dos momentos mais incríveis e felizes de sua vida ao lado do seu grande amor. E chorar. Deixar com que as dolorosas lágrimas escorreguem gentilmente por sua face enrugada.
Após um longo momento imóvel, o ancião busca um copo de conhaque e volta a se sentar para admirar aquele incrível retrato, que outrora era admirado a dois e tinha um ar de recompensa após tanta luta para que ficassem juntos. Agora só representava a solidão, a insignificância perante o mundo que não para por mais que seus filhos sofram. E mais uma vez as fumegantes lágrimas marcavam aquele rosto que antes já fora alegre. E agora o ardor do conhaque se juntava ao amargo do nó em sua garganta.
Desde que se viu só no mundo, aquele senhor apenas queria alguém para conversar. Mas era impossível, pois ele e sua outra metade se mudaram para um lugar isolado a fim de não ter ninguém interferindo novamente em algo tão bonito quanto aquela união. Eles só se esqueceram que a unica certeza que paira neste mundo era implacável e nunca deixaria que tudo terminasse bem! E ela deixou isso bem claro anos atrás. Desde então, o idoso só pensou em ir ao encontro daquela pessoa que deu significado à sua vida e desde então lembrou que atos desse tipo só fariam com que ele fosse para um lugar completamente diferente daquele onde essa pessoa está nesse momento! Mesmo ele tendo sido um grande cético, tem esperança verdadeira em reencontrar aquela pessoa que um dia o completou. Seus desejos estavam para ser atendidos.
Em uma fresca noite de primavera, enquanto observava as estrelas e imaginava a qual delas se juntaria quando chegasse o momento, caiu no sono. E sonhou novamente com seu amor verdadeiro! Dessa vez seu rosto e voz eram perfeitos! Tantos anos sem ver ou ouvir a sua metade involuntariamente haviam apagado tais lembranças de sua mente. Foi aí que percebeu que não estava sonhando. Sua triste rotina e sua perseverança em não cometer o ato de desespero foram recompensados finalmente, eternamente.

P.S.: Sempre haverá algo de bom advindo de algo ruim. É o ciclo a que todos nós estamos fadados a cumprir querendo ou não.
P.S.²: Talvez o mais difícil de todos.
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Composto Cardíaco - Amarras

O que pode acontecer para que o composto vaze? Em que quantidade ele poderá sair? Ele realmente pode ser controlado? Ou ele controlará o corpo inteiro da pessoa? As amarras, depois de completamente abertas, terão algum outro propósito?
Mais perguntas de respostas até então desconhecidas... o composto, na maioria dos casos, vaza em quantidades pequenas, fazendo com que uma pessoa sofra por alguns "instantes" e, dependendo do preparo da pessoa e da concentração, faz com que ela cometa o ato mais covarde de todos para se livrar de tudo isso.
Mas, se o composto for se concentrando pacientemente por um longo período sem esperanças, ficará cada vez mais sem espaço e forçará as amarras até o limite. Até que, por algum motivo que lhe tire a última gota de esperança, fará com que elas se arrebentem e se espalhará por todo o corpo, tomando controle da alma e tornando-a negra e sugestiva a influências ditas negativas.
O controle obtido não é total, por mais concentrado que essa mistura de mágoa, dor e escuridão seja. A alma ainda sim lutará para não sucumbir, mas estará fraca demais para voltar ao que era sozinha. Ela precisará de muita ajuda externa e, mesmo assim, nunca mais será a mesma e deixará de ter os traços infantis e alegres que sempre teve.
 Essa alma, abatida e perdida na escuridão, buscará por alguma outra no mesmo estado para poderem sucumbir juntas. Mas não é o que acontece. As amarras abertas de ambos os "corações" acabarão por se juntar e prender os compostos em um único recipiente, que não é mais forte ou mais fraco que o anterior, mas que terá a capacidade de aguentar mais pressão, afinal, as amarras que são "remendadas", nesse caso, acabam por se tornar mais fortes.
E o composto poderá vazar mesmo assim desse novo recipiente, tentando controlar ambas as almas, mas será um trabalho árduo para cumprir esse objetivo. As amarras remendadas tem não só a ajuda umas das outras, mas de duas almas que amadureceram juntas e que podem, finalmente, usufruir dos estranhos benefícios de algo tão obscuro e tão temido.


P.S.: Tudo que o composto pode trazer de benefícios e efeitos colaterais ainda é um mistério. Ele se adapta a cada situação, tornando-se algo temporariamente incontrolável.
P.S.²:  Dois corpos, um recipiente, uma quantidade maior de composto. Assim que ele vaza, as duas almas compartilham da dor. E cabe a ambas superarem juntas e manterem as amarras cada vez mais fortes.
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Curta 3: O Animal

Um enorme rinoceronte negro corre livremente pela savana. Em seus olhos vermelhos o vazio, o instinto. Em sua fuça, dois enormes, negros e pontiagudos chifres, usados apenas para amedrontar possíveis predadores. Em sua mente, apenas a vontade de correr, pisotear, grunhir mais alto do que todos os outros animais da selva. Em sua vida, apenas o esquecimento, a confusão, a raiva, a tristeza de não ter a capacidade de pensar.
A corrida logo lhe cansa. Ele necessita comer e beber para sobreviver. Seus olhos fitam o horizonte e ele logo encontra um enorme açude rodeado pelas mais belas e suculentas plantas. Finalmente lhe é concedido o dom de  conhecer seu objetivo. Há muitos obstáculos, mas ele passará por cima de todos, não importando qual seu grau de dificuldade! Ele conseguirá? Talvez... Se não conseguir, voltará a correr novamente até que nada mais lhe reste a não ser descansar em paz.



P.S.: Quando a um animal é concedido o dom de estabelecer uma meta, tenha certeza que ele a cumprirá independente do preço a pagar.
P.S.²: Começo de ano com um texto não tão agradável de se ler, mas que possui um significado interessante ao seu autor.
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

KVMJP

Piscar demoradamente... ficar milésimos de segundo em um sonho que, mesmo sendo tão curto, é bom. Sim! É bom! Por quê? Por que você estava nele, como um pequeno retrato ante meus cansados olhos.
Olhos... ter a sensação de que seus profundos olhos me encaram (mesmo eu estando tão demolido) traz o sentimento de segurança, calor e de estar sendo guiado para um futuro certo.
Pela primeira vez me sinto seguro, me sinto com algum objetivo em meio a esse caótico mundo, me sinto vivo! Talvez seja apenas uma gotícula de esperança derramada em meio ao amargo e negro composto aprisionado em meu coração. Não sei. Apenas desejo que essa mínima gota não tenha sido derramada por uma ilusão...

P.S.: Tenho certeza que não é ilusão! E que tudo dará certo!
P.S.²: Última postagem do ano. Dedicada a uma pessoa que tem feito com que eu tenha algum objetivo, que fez com que eu saísse da escuridão e que me deu forças para seguir em frente. Não há necessidade de revelar seu nome, pois esse nome faz parte unica e exclusivamente do meu coração.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Eterno Paradoxo

Você! Parado em frente à minha cama, com seus olhos fitando o mais escuro beco da minha mente, fazendo com que eu o deseje. Sua pele pálida reflete o intenso luar, iluminando ainda mais o meu quarto, maravilhando meus olhos.
Levanto-me e vou em sua direção. Pareço flutuar. Meu corpo está adormecido, assim como minha mente. De repente me vejo cara a cara com sua jovem e bem cuidada face e acordo do transe. Não quero fugir! Quero apenas me entregar a você! Abre a boca e percebo seus branquíssimos e perfeitos dentes e não paro de imaginá-los a perfurar minha pele. Você apenas sorri e se prepara.
Mesmo achando histórias desse tipo um tanto quanto ridículas, não deixo de me sentir como se levitasse perante sua presença. Não demore! Apenas finque seus dentes em meu pescoço! Torne-me um dos seus! Transforma-me em um dependente de sua vida! Leve-me para a escuridão por toda a agradável eternidade ao seu lado!
Muitos anos se passaram desde nosso primeiro contato, mas sinto que é chegada a hora de finalmente descansarmos desses corpos eternos. Em um abraço desprevenido, enterro uma estaca em seu coração e te observo se dividir em pequenos grãos levados pelo vento. Uma lágrima rola por minha face e sorrio pela última vez antes de me juntar novamente a você em um conto-de-fadas infernal.


P.S.: Uma luta para se manter vivo eternamente. Um segundo para deixar de viver. Um verdadeiro amor, que transcende o físico e permanece até mesmo nas chamas do inferno.
P.S.²: Segunda história de vampiro postada nesse blog. 
P.S³: Dúvidas ou sugestões? Clique aqui e saiba mais!!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Curta 2: A Sociedade

Uma dama esbelta, esquelética, em um longo preto, encostada no batente da porta. Uma das mãos na cintura e a outra segurando um longo e fino cigarro recém-aceso. Olhar perdido, cabelos negros presos em um simples coque, boca entreaberta, garganta queimando pela generosa tragada daquela quente fumaça.
Com a mesma boca entreaberta, a sofrida moça expele a fumaça e sente a leve tontura que leva embora a sensação de peso em sua consciência. Na tentativa de se livrar daquilo que o mundo exige para se fazer parte dele, ela vendeu sua alma infeliz aos tentadores 20 demônios vendidos em qualquer buraco pelos exigentes donos do mundo.


P.S.: Tantos querendo se livrar do mundo, mas tentam pelos caminhos que o próprio mundo trilha.
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