terça-feira, 29 de maio de 2012

A Chave dos Três Destinos


Uma chave e três fechaduras. A chave é compatível com todas as fechaduras. Porém, se uma for aberta, as outras duas se fecharão. Há placas com enigmas e pistas sobre o que está atrás de cada porta. A decisão sobre o que libertar é de única e exclusiva responsabilidade do portador da chave. O tempo está passando, mas isso não quer dizer que a chance escapará e nunca mais retornará. Aliás, a chance só escapará se o portador decidir se desfazer da chave ou, de alguma forma, tentar encontrar alguém para assumir seu lugar, o que é praticamente impossível, pois a chave costuma escolher o próximo portador. 
Essas são as instruções para que o templo seja aberto! São três caminhos, uma escolha e as consequências variam da glorificação à destruição daquilo que um dia foi uma construção repleta de vistantes que, apesar de não se interessarem pela estrutura física, queriam absorver todo seu conhecimento e compartilhar o próprio. Agora resta apenas a carcaça vazia e egoísta em manter todas as informações trancadas em um pequeno e sofrido receptáculo.
Vá! Abra o templo! Não importa se decidirá fazer isso hoje ou daqui seis meses, apenas faça! Não deixe que tamanha estrutura seja destruída pelas areias do tempo e da insanidade! É o último portador, aquele que selará o destino de tudo! Apenas faça o que tem de ser feito!


P.S.: Instruções gerais para cumprimento de destino alheio. Talvez seja melhor apenas atear fogo à elas e deixar que o destino decida o pior caminho possível, mas ainda há alguma esperança, mesmo que bem pequena, de que tudo ficará bem.
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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Madrugada

Quarto escuro, cama dura, insônia e desespero. Aquela noite só poderia ser descrita dessa forma. Olhar para o teto escuro e pensar no que seria feito do futuro era tudo que restava para o abatido rapaz ( E ele estava realmente abatido: seu roliço e rosado corpo fora transformado em um esquelético e acinzentado pedaço de ser humano!). Finalmente ele conseguiu fechar os olhos e começou a levemente cochilar.
Na escuridão da madrugada, um estalo ensurdecedor fez com que o jovem literalmente pulasse da cama e se colocasse prontamente em pé a seu lado. Ao olhar para frente, deparou-se com um par vermelho de olhos encarando-o fixamente e ficou estático de pavor! Não conseguia se mover, por mais que quisesse. E lá estavam aqueles dois círculos flamejantes fixos em direção a seus olhos; um olhar tão profundo e apavorante que parecia apoderar-se de seu corpo.
As horas passaram e nenhum dos dois se movimentava: nem o dono dos olhos, nem o rapazote. Com isso, o medo foi lentamente deixando seu corpo mais controlável e, com isso, resolveu se aproximar e verificar se aqueles olhos realmente possuíam um dono. Passo a passo ele se colocou mais próximo do que tanto o assustava, até que esbarrou em uma superfície plana e fria. E lá estavam os olhos fixos nos seus novamente. Mas, dessa vez, a luminosidade vermelha permitiu que ele descobrisse quem estava a encará-lo.
Boca entreaberta, uma lágrima desesperada sutilmente rolou por sua face: o dono daqueles olhos era ele mesmo! A superfície fria era um grande espelho que deveria ter sido levado para a sala durante a tarde. Ele se ajoelhou, levou as mãos à cabeça e, com um forte grito, acordou em sua cama com o celular avisando que já era um novo dia. E o espelho continuava em seu quarto.



P.S.: Sonhos realmente podem dizer muito sobre determinadas situações, mesmo não sendo da maneira mais direta possível.
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Carta de um Cadáver

O trecho a seguir foi retirado de uma carta encontrada nas mãos de um suposto suicida. O começo da carta estava danificado demais e tornou-se ilegível. 

"(...)após todos esses anos, todas essas decepções, desventuras, desesperanças e punhais ardentes em minhas costas, eis que me isolo do mundo. Ah! Esse tão cruel mundo moderno, com sua tecnologia capaz de unir pessoas distantes e separar as próximas, unir dois corações em uma única parte e depois picotá-lo como se fosse um mero pedaço de papel nas mãos de uma criança e capaz, também, de criar pessoas cada vez mais frias, obscuras e tristes, incapazes de domar os próprios sentimentos. 
Talvez agora, alguns meses isolado, eu perceba o quão maravilhoso era esse mundo (e o quão perverso era também). As noites mal dormidas, a incrível falta de momentos sóbrios, as intrigas, as promiscuidades que não envolviam a conexão carnal em si, mas eram dignas de contos eróticos e bizarros, a filosofia embriagada de pessoas com a mente vazia da utilidade buscada pelas grandes empresas e lotadas das mais diversas formas de cultura inútil, todas essas características me despertaram um sentimento de nostalgia. 
Hoje sinto nostalgia, mas não aquela que parece dizer 'como foi bom esse tempo! Mas agora é hora de seguir em frente!' e sim aquela que me diz 'Esses foram momentos de sua vida. Olhe para trás enquanto pode, pois serão suas últimas lembranças!'. O futuro se mostra a mim como uma grande muralha negra, que não me permite enxergar sequer um pequeno filete de esperança. 
Minha cabeça está cada vez mais como uma grande orgia entre todos os pensamentos, onde um mero observador consegue ver o que se passa, mas não entende os detalhes por estarem confusos em meio a tantos braços, pernas, corpos, cabeças e ruídos. Sinto todas as noites como se fossem a última. Talvez essa realmente seja! Mas vou passá-la como tenho passado todas as outras, repousando a cabeça em meu surrado travesseiro. "

P.S.: E ele não mais se levantou. E, apesar da pouca idade, seu cadáver aparentava ser de alguém décadas mais velho. Talvez a vida tenha lhe sugado os últimos resquícios de juventude fazendo-o entendê-la antes da hora.
P.S.²: Voltando a escrever após um pequeno hiato. Dedos e mente enferrujados. Prometo melhoras.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Espessa Janela

Enjaulado, preso em um pequeno cubo composto por barras de ferro grossas e esburacadas. Há apenas uma lâmpada que desce de uma das barras que compõem o "teto" dessa jaula, que está suspensa na escuridão.
O desespero de estar preso em uma pequena jaula em meio à escuridão é indescritível, talvez só não seja pior do que perceber que a cela está, de alguma forma, encolhendo! As barras começaram a ranger e a se movimentar vagarosamente em direção ao centro da jaula. Os gritos de desespero pareciam abafados: talvez a sala fosse preparada acusticamente para que os sons ficassem ali dentro, ou o desespero tampou-lhe os ouvidos.
Um leve cheiro de gás, uma fagulha e as barras estavam em chamas! Os orifícios que predominavam na jaula eram para acender o fogo! Apenas o chão não estava completamente em chamas. Mais desespero e logo após, conformidade... não havia escapatória! O cruel destino estava se aproximando ardentemente.
As luzes da enorme sala se acenderam. No centro, a jaula parecia uma grelha que acabara de deixar passar do ponto a carne do macabro churrasco. Nas paredes, janelas com um espesso vidro, onde podiam ser vistas pessoas passando indiferentes ao ocorrido, como se não pudessem ver aquele horror, mesmo que escancarado em sua frente.

P.S.: "Interessante essa filmagem sendo exibida nessa parede! Que rapaz bonito e alegre esse das imagens! Mas parece que há uma luz ao fundo... parece fogo! É, deve ser apenas algum defeito dessa tela. Ela é muito grossa para esse tipo de projeção."
P.S.²: Grite quão alto conseguir! Ponha seus pulmões no mundo, polua-os com a toxidade da atmosfera! Torne sua voz tão estridente que quebre todas as taças de cristal! Mas tome cuidado: volume e estridência não garantem que será ouvido!
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Último Suspiro

O mundo começa a se ver mergulhado em uma estranha epidemia de uma desconhecida e lentamente mortal doença, cujos principais sintomas são fadiga e leve grau de cegueira* (com visão embaçada, semelhante à miopia) no começo e extrema fraqueza e visão bastante comprometida em seu estágio final.
A doença começou em uma pequena cidade do interior e se espalhou pelo país, gerando um alerta global que conseguiu conter a enfermidade até certo momento, mas alguns casos isolados começaram a aparecer em outros países.
O primeiro infectado, um rapaz em torno de 25 anos de idade, agora está no estágio terminal da doença e se encontra no isolamento do principal hospital daquela pacata cidade. Além da extrema fraqueza, a tristeza o acomete e só faz com que sua hora final chegue mais rápido. Mas sua tristeza não é oriunda da morte iminente, e sim do então inevitável desfecho de sua vida, sem poder sequer ver uma pessoa em especial: aquela na qual trocou correspondências por vários anos e que, devido aos desencontros da vida, não pode conhecer pessoalmente, quanto mais realizar o sonho de tocar seus lábios no dela.
No começo do que certamente seria sua última semana, o rapaz acordou com um estranho vulto à sua frente, que logo imaginou ser um dos médicos, apesar de não ser possível a percepção das enormes roupas para evitar o contágio. O vulto se aproximou, abaixou até próximo à sua orelha e com a mais tênue e, para ele, deliciosa voz exclamou um emocionado "finalmente estou aqui a seu lado!". As lágrimas foram inevitáveis e seguidas de um caloroso abraço e, finalmente, o primeiro beijo de duas almas que deveriam ficar juntas até o final de suas vidas. E assim foi. Ao término daquele tão esperado beijo, a vida daquele rapaz se encerrou.
Ao contrário do que se imagina, a amada não desatou a chorar de dor pela perda. Apenas sentou-se ao lado daquele que nunca desistiu, segurou firme em sua mão e com um satisfatório sorriso sussurrou algo como "Após tanta luta, finalmente ficaremos juntos para sempre".


P.S.: Vida injusta e desencontrada que nos prepara para uma eternidade tão certa e perfeita.
P.S.²: Pode demorar o tempo que for: mas tudo isso só tende a crescer e a amadurecer cada vez mais.
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Deus do Novo Mundo

Bolas de fogo caem do sanguinolento céu, arrasando grandes cidades como se fossem pequenos e vulneráveis formigueiros! Bestas aladas sobrevoam o pouco que restou, caçando sua refeição e combustível para as chamas lançadas por suas bocarras fétidas e repletas de presas afiadas: humanos!
O caos dominou o mundo após o anúncio de que um jovem de peculiares olhos possuía incríveis poderes dignos de um deus! Ele era capaz de criar vida apenas com sua imaginação e uso da energia vital predominante  na atmosfera! Extraordinário poder logo atraiu o interesse dos governantes e o temor dos meros ignorantes cidadãos, que passaram a hostilizá-lo e denominá-lo como aquele que traria o apocalipse ao nosso mundo.
O confiante rapaz, ciente das consequências de tamanho abalo perante sua onipotência, decidiu não se entregar aos governantes e muito menos aos revoltosos cidadãos ao redor do mundo: decidiu isolar-se em um típico e pacato campo, cuja localização não é conhecida. Viveu lá durante alguns poucos anos, aprimorando e descobrindo novas habilidades e ligações entre elas e seus acinzentados olhos, até que o mundo resolveu que era hora de eliminá-lo!
No decorrer desses anos, os amedrontados governantes se uniram e criaram um único exército para impedir o tão temido e, segundo líderes de todas as crenças e religiões, inevitável fim dos tempos! E esse esforço para aliviar a tensão geral e dar sensação de alívio chamado Exército da Nova Terra descobriu a localização e atacou a morada do jovem no amanhecer daquele quente domingo.
Ao redor do globo, as pessoas acompanhavam , vidradas em seus televisores, a operação que as livraria do terror iminente. Ao exibirem as primeiras imagens da humilde choupana do jovem com poderes olímpicos*, as emissoras foram surpreendidas com perda de sinal e exibição de uma tela escura. O planeta ficou aflito e o caos foi geral. Mal sabiam as pessoas que tudo terminaria em um banho de sangue.
Algumas horas após a queda da transmissão televisiva, o chão se abriu na praia da maior capital do globo, e dele emergiu uma enorme parede de pedra. Logo o céu se tornou escarlate e dele caiu a primeira esfera flamejante. Por trás da monumental parede recém-erguida, uma nuvem de bestas aladas decolou rumo à cidade. No topo daquele enorme bloco de pedra, surgiu a sombra de um homem trajando uma antiga armadura, remetendo aos poderosos samurais, e segurando um cajado com grossas argolas penduradas na sua extremidade em forma de meia-lua. O mundo aprenderá com a dor da perda a finalmente viver em paz.

*Comparados aos poderes dos deuses que habitavam o Monte Olimpo.

P.S.: O homem deseja eliminar aquilo que teme, mesmo que aquilo não demonstre vontade ou necessidade de causar temor ao homem.
P.S.²: Personagem, poderes e ideologia claramente inspirados nos personagens Nagato (e seu pseudônimo Pain) e Rikudou Sennin (Eremita dos Seis Caminhos), do mangá Naruto, cuja autoria é de Masashi Kishimoto e de direitos pertencentes à Shonen Jump. Apenas uma postagem ficcional completamente inspirada naquilo que o autor tem acompanhado durante os anos.
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O Âmago do Fracasso

A criatividade deixa minha mente, escorre pelas minhas pálidas mãos e se evade ralo abaixo. A dor, e a impossibilidade de desabafá-la em meios outrora utilizados para tal, me sufoca, me aperta o pescoço como um assassino que silenciosamente invade um quarto em busca de sua vítima (propositadamente ou em decorrência de um infeliz encontro durante um furto).
Meus olhos já não possuem mais vitalidade e carisma, apenas uma camada esbranquiçada de lembranças agradáveis utilizadas como amenas cortinas que disfarçam a feiura de uma janela que já sofreu as ações do tempo.
O corpo está deformado em decorrência do desespero por um bem-estar temporário, que fora devorado aos montes em troca de poucos momentos de tranquilidade torpe. Deformada está, também, a capacidade de raciocínio lógico, tornado em pequenos pedaços de realidade e distorcidos blocos de fantasia e melancolia.
Conforme o tempo passa, mais certeza há de que tudo serviu apenas para transformar um homem em uma criança despedaçada, acuada em um canto do quarto e vociferando absurdos para que ninguém consiga se aproximar de sua enorme e sangrenta ferida. Mesmo assim, a alma infantil ainda consegue ver um pequeno raio de esperança no horizonte sombrio da vida.

P.S.: O desesperador motivo pela qual uma pessoa pode sumir da vida de várias outras é o mesmo que fará com que o ciclo de angústia jamais se extingua. 
P.S.²: Talvez eu me arrependa de postar algo tão íntimo. Mas, como sempre, talvez a mensagem não seja tão facilmente decifrada. A sorte está lançada.
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