Nuvens densas e escuras como a noite cobriram os céus naquela que seria uma ensolarada tarde de sábado. Ninguém esperava por isso, a meteorologia havia avisado que o tempo seria quente e com céu limpo. Juntamente com as nuvens veio uma ventania poderosa, com força devastadora. Todos estavam desesperados e procuravam um abrigo quando a ventania sessou repentinamente. O silêncio tomou conta por instantes até que uma luz vermelha desceu por entre as nuvens e atingiu uma casa. O que mais se ouvia eram os gritos aclamando a Deus ou então os que diziam que era o apocalipse. Pobres pessoas, não sabiam que aquilo não era obra de Deus e muito menos o fim do mundo em sí, mas o princípio dele.
Na casa atingida estava Andreas, um homem de vinte e seis anos que morava ali há uns cinco anos com sua família e, logo a frente dele, uma labareda vermelha com uma face demoníaca. Ao lado da carranca estavam sua mulher e filha, ambas inconscientes. O homem que sempre fora bom e valente estava agora de joelhos implorando pela vida de suas amadas. Então um trato foi proposto por aquela face horrenda: Andreas deveria se tornar o caçador particular daquele que se apresentava através da labareda, que nada mais era do que o próprio demônio. Para tal tarefa lhe foram prometidas armas, força física descomunal e a imortalidade. Também lhe fora prometido que nenhum inocente seria morto, apenas aqueles que realmente devem algo ao senhor das trevas.
Após muito negociar, Andreas percebeu que era impossível fazer com que o diabo mudasse de idéia; ele apenas ergueu a cabeça, olhou nos olhos da besta e aceitou o trato! Ele faria de tudo para ter sua amada família de volta! Quem diria que seu amor tão grande o faria sujar as mãos de sangue?! Ao aceitar, a casa se iluminou com intensidade, fazendo com que ele não enxergasse por alguns instantes. Quando retornou a ver, já não estavam ali a labareda e nem sua família; era o começo de uma nova vida, uma vida para resgatar sua família as custas de um trabalho sujo de sangue. Ao olhar para janela, percebeu que as pessoas da vizinhança tentavam observar o que havia acontecido e, com medo de acharem que ele tinha matado sua família, resolveu partir e iniciar uma vida anônima para que pudesse se dedicar totalmente ao trato e rever sua família o mais rápido possível!
Ele não sabia, mas era o começo de uma jornada sangrenta e praticamente sem fim; era a vida de assassino que estava prestes a surgir!
P.S.: A história inteira não será postada... apenas pequenos trechos como esse.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Segundo Prelúdio à Sinfonia da Destruição: Relato.
- Tem certeza que foi isso que você viu???
- Certeza mais que absoluta!
- Conte isso novamente! Tente lembrar dos detalhes. Há alguma coisa muito estranha nisso tudo!!
- Claro que há!! Bom, vou contar novamente, mas eu já disse tudo! Não há mais detalhes a serem lembrados!! Lá vou eu novamente: era mais ou menos umas oito da noite e eu estava fazendo meu turno na torre norte lá da prisão. De repente as luzes se apagaram! Alguém cortou a energia e foi esperto o bastante para dar um jeito no gerador também!!
Com a energia cortada, os presos conseguiram sair das celas, render os agentes e se reunir no pátio para elaborar algum plano de fuga, já que lá era o lugar mais claro da penitenciária toda - a lua estava linda aquele dia e iluminava bem o pátio. Ficaram conversando um bom tempo e um deles foi escolhido para atravessar os corredores e abrir a porta da frente. Ele então se dirigiu à escuridão e lá sumiu. Segundos após o sumiço, foi possível ouvir um barulho como de uma lâmina cortando o ar e de alguma coisa caindo no chão. Todos ficaram espantados olhando para a escuridão e cochichando o que poderia ter acontecido. Alguns instantes depois algo saiu do escuro a uma velocidade incrível, passou por um grupo de presos e se escondeu na escuridão do outro lado do pátio. Mal havia terminado de passar e os presos que estavam em seu caminho já estavam no chão, todos esquartejados!!! O caos tomou conta daquele pátio; todos corriam em várias direções! A "coisa" também resolveu sair da escuridão e, novamente a uma velocidade espantosa, passou a caçar cada um deles! O som de lâminas era frequente!
Em pouco menos de meia hora já estavam todos mortos, esquartejados. No final disso tudo a "coisa" parou no centro do pátio; parecia analisar para ver se não tinha esquecido de ninguém. E foi aí que eu pude ver que era um homem vestindo um sobretudo e com uma espada daquelas usadas por ninjas em cada mão. Seus olhos brilhavam em um tom azul.
Acho que ele não me viu. Apenas deu uma última olhada ao redor e caminhou tranquilamente até a escuridão. Nem preciso dizer que os reforços que eu pedi não encontraram nem vestígio dele, né? Sumiu completamente na escuridão! Como nos filmes de terror.
- Realmente intrigante! O que farão a respeito disso?
- Nada. Todos que morreram eram presos perigosos, assassinos, estupradores e coisas piores! Tinham até pacto com o demônio. Já os vi pedindo muitas coisas ao diabo. Não avisarão a mídia e nem os familiares. Essa gente mereceu.
- Concordo, mas ainda quero descobrir o que os matou!
- Eu prefiro nem descobrir! Deve ser coisa do cara lá de baixo! Melhor deixar como está!
P.S.: E isso é apenas o começo do fim. As dívidas serão cobradas uma a uma.
- Certeza mais que absoluta!
- Conte isso novamente! Tente lembrar dos detalhes. Há alguma coisa muito estranha nisso tudo!!
- Claro que há!! Bom, vou contar novamente, mas eu já disse tudo! Não há mais detalhes a serem lembrados!! Lá vou eu novamente: era mais ou menos umas oito da noite e eu estava fazendo meu turno na torre norte lá da prisão. De repente as luzes se apagaram! Alguém cortou a energia e foi esperto o bastante para dar um jeito no gerador também!!
Com a energia cortada, os presos conseguiram sair das celas, render os agentes e se reunir no pátio para elaborar algum plano de fuga, já que lá era o lugar mais claro da penitenciária toda - a lua estava linda aquele dia e iluminava bem o pátio. Ficaram conversando um bom tempo e um deles foi escolhido para atravessar os corredores e abrir a porta da frente. Ele então se dirigiu à escuridão e lá sumiu. Segundos após o sumiço, foi possível ouvir um barulho como de uma lâmina cortando o ar e de alguma coisa caindo no chão. Todos ficaram espantados olhando para a escuridão e cochichando o que poderia ter acontecido. Alguns instantes depois algo saiu do escuro a uma velocidade incrível, passou por um grupo de presos e se escondeu na escuridão do outro lado do pátio. Mal havia terminado de passar e os presos que estavam em seu caminho já estavam no chão, todos esquartejados!!! O caos tomou conta daquele pátio; todos corriam em várias direções! A "coisa" também resolveu sair da escuridão e, novamente a uma velocidade espantosa, passou a caçar cada um deles! O som de lâminas era frequente!
Em pouco menos de meia hora já estavam todos mortos, esquartejados. No final disso tudo a "coisa" parou no centro do pátio; parecia analisar para ver se não tinha esquecido de ninguém. E foi aí que eu pude ver que era um homem vestindo um sobretudo e com uma espada daquelas usadas por ninjas em cada mão. Seus olhos brilhavam em um tom azul.
Acho que ele não me viu. Apenas deu uma última olhada ao redor e caminhou tranquilamente até a escuridão. Nem preciso dizer que os reforços que eu pedi não encontraram nem vestígio dele, né? Sumiu completamente na escuridão! Como nos filmes de terror.
- Realmente intrigante! O que farão a respeito disso?
- Nada. Todos que morreram eram presos perigosos, assassinos, estupradores e coisas piores! Tinham até pacto com o demônio. Já os vi pedindo muitas coisas ao diabo. Não avisarão a mídia e nem os familiares. Essa gente mereceu.
- Concordo, mas ainda quero descobrir o que os matou!
- Eu prefiro nem descobrir! Deve ser coisa do cara lá de baixo! Melhor deixar como está!
P.S.: E isso é apenas o começo do fim. As dívidas serão cobradas uma a uma.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Prelúdio à Sinfônia da Destruição
Vícios. Quem nunca teve ao menos um na vida? Seja em comer balas, comprar inutilidades até mesmo usar drogas e beber. Vício de linguagem, de postura, de maneiras... Por menor que ele possa ser, só vai te levar ao buraco, à sarjeta.
Meu vício não fez mal a ninguém, mas fez um mal tremendo a mim! Estou preso a essa maldita condição para toda eternidade! tenho que fazer aquilo que sempre repudiei, sem direito de questionar se é certo ou errado, se devo ou não fazer, se posso ou não fazer. Não tenho negar: se me for pedido, hei de fazer. No começo eu ainda tentava questionar as ordens; realmente odiava fazer isso mas, quer saber de uma coisa? Estou gostando! Cada vez que faço me sinto mais revigorado! Meu sangue corre mais rápido, certamente correria se eu o tivesse, minhas mãos tremulam, me sinto no ápice, no clímax!!!
Mas, mesmo gostando, ainda há um porém: não posso fazer sem que me seja ordenado... isso realmente me irrita! Não tem importância; vale a pena esperar por cada ordem! Farei isso até o fim dos tempos...
Meu vício? Amar demais. O Castigo? Servir ao próprio diabo, assassinando cada um dos que fizeram alguma promessa em troca de algo, desde que esse algo tenha sido dado e o "pagamento" não cumprido. Acredite, não é todo mundo que cumpre com a palavra, mesmo tendo que acertar as contas com o demônio. Já que não acertam com ele enquanto vivos, pois não o temem até a hora da morte, acertarão pessoalmente através de mim!!!!
P.S.: Essa história está na minha cabeça faz muito tempo! Demorei a publicar algo aqui justamente por isso: só tinha essa história em mente!!
Meu vício não fez mal a ninguém, mas fez um mal tremendo a mim! Estou preso a essa maldita condição para toda eternidade! tenho que fazer aquilo que sempre repudiei, sem direito de questionar se é certo ou errado, se devo ou não fazer, se posso ou não fazer. Não tenho negar: se me for pedido, hei de fazer. No começo eu ainda tentava questionar as ordens; realmente odiava fazer isso mas, quer saber de uma coisa? Estou gostando! Cada vez que faço me sinto mais revigorado! Meu sangue corre mais rápido, certamente correria se eu o tivesse, minhas mãos tremulam, me sinto no ápice, no clímax!!!
Mas, mesmo gostando, ainda há um porém: não posso fazer sem que me seja ordenado... isso realmente me irrita! Não tem importância; vale a pena esperar por cada ordem! Farei isso até o fim dos tempos...
Meu vício? Amar demais. O Castigo? Servir ao próprio diabo, assassinando cada um dos que fizeram alguma promessa em troca de algo, desde que esse algo tenha sido dado e o "pagamento" não cumprido. Acredite, não é todo mundo que cumpre com a palavra, mesmo tendo que acertar as contas com o demônio. Já que não acertam com ele enquanto vivos, pois não o temem até a hora da morte, acertarão pessoalmente através de mim!!!!
P.S.: Essa história está na minha cabeça faz muito tempo! Demorei a publicar algo aqui justamente por isso: só tinha essa história em mente!!
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Noites Claramente Escuras
Seus olhos estão fechados para mais uma noite de sono. Mais uma noite onde os sonhos revelam-se pesadelos; onde fadas viram demônios; onde a felicidade da lugar ao desespero e ao tormento.
Cada rosto conhecido que aparece tem algum papel nada convencional e às vezes cruel nesse mundo que deveria ser de pura fantasia apenas. Os rostos se desfiguram, se escondem na escuridão de cada canto imundo da mente, apenas esperando o momento certo de avançar e destruir mais um desejo de alegria.
Passos na escuridão são ouvidos, cada vez mais próximos. A respiração fica cada vez mais ofegante, ansiosa e desesperada aguardando para descobrir quem é o autor daquele caminhar vagaroso e cada vez mais próximo, tão próximo que já da para sentir a presença de quem quer que esteja caminhando e...
Olhos abertos. Apenas o quarto ao seu redor. Corpo suado. Coração acelerado. Apenas mais um sonho que virou pesadelo. Voltou a dormir.
P.S.: É... ainda bem que minhas noites não são assim!
Cada rosto conhecido que aparece tem algum papel nada convencional e às vezes cruel nesse mundo que deveria ser de pura fantasia apenas. Os rostos se desfiguram, se escondem na escuridão de cada canto imundo da mente, apenas esperando o momento certo de avançar e destruir mais um desejo de alegria.
Passos na escuridão são ouvidos, cada vez mais próximos. A respiração fica cada vez mais ofegante, ansiosa e desesperada aguardando para descobrir quem é o autor daquele caminhar vagaroso e cada vez mais próximo, tão próximo que já da para sentir a presença de quem quer que esteja caminhando e...
Olhos abertos. Apenas o quarto ao seu redor. Corpo suado. Coração acelerado. Apenas mais um sonho que virou pesadelo. Voltou a dormir.
P.S.: É... ainda bem que minhas noites não são assim!
sábado, 30 de agosto de 2008
Inocência
Nascido na solidão e no silêncio da escuridão, seu destino era ser um reflexo da mãe e da circunstância. E assim foi. Até o momento em que abriu os olhos e percebeu as cores, a luz da vida que o cercava, mas também percebeu a crueldade cometida em nome dessa iluminação, a dissimulação por trás de tantas cores e o ódio que sentiam de sua origem.
Batalhou incessantemente para que o aceitassem em seu meio. Em vão. Todos apenas riam, gritavam, apontavam para aquele ser tão diferente, de origem grotesca aos olhos abertos e coloridos dos de origem comum, aqueles que se gabavam de acolher e amar ao próximo como a sí mesmos.
Esgotou-se. Resolveu voltar aos braços de sua mãe. Braços acolhedores e ao mesmo tempo desoladores, destruidores, mas mesmo assim braços de mãe. Finalmente ele percebeu que o perigo real está bem à vista, que não deve temer o que não vê, mas aquilo que está bem diante de seus olhos, escancarado e iluminado.
Tudo o que ele precisava mesmo era de sua mãe e um brinquedo para que pudesse idealizar um mundo feliz.
P.S.: Precisa de algo aqui mesmo?
Batalhou incessantemente para que o aceitassem em seu meio. Em vão. Todos apenas riam, gritavam, apontavam para aquele ser tão diferente, de origem grotesca aos olhos abertos e coloridos dos de origem comum, aqueles que se gabavam de acolher e amar ao próximo como a sí mesmos.
Esgotou-se. Resolveu voltar aos braços de sua mãe. Braços acolhedores e ao mesmo tempo desoladores, destruidores, mas mesmo assim braços de mãe. Finalmente ele percebeu que o perigo real está bem à vista, que não deve temer o que não vê, mas aquilo que está bem diante de seus olhos, escancarado e iluminado.
Tudo o que ele precisava mesmo era de sua mãe e um brinquedo para que pudesse idealizar um mundo feliz.
P.S.: Precisa de algo aqui mesmo?
domingo, 24 de agosto de 2008
O Olhar Descrente...
Um solitário garoto nas escadarias do colégio, apenas observando o movimento das pessoas e esperando os amigos não poderia jamais imaginar que esse ato seria capaz de trazer tantas sensações. Em uma dessas noites na escadaria, seus olhos encontraram o mais belo rosto do colégio inteiro! Talvez isso fosse um grande exagero, mas para ele não. Cada traço daquele rosto era devorado com os olhos, desde o maravilhoso sorriso (Ah! Como ele adora um sorriso! Fica completamente hipnotizado) até o último fio de cabelo castanho com luzes.
Aquele rosto lhe era perfeito! Não só o rosto, mas foi o rosto que mais lhe chamou a atenção, pois era uma combinação perfeita entre os negros olhos como a noite pura, o nariz esculpido e o sorriso que iluminava a mente daquele solitário sonhador.
Ele decidiu admirar aquela obra de arte todos os dias até juntar coragem para dizer um simples "oi". Com toda essa admiração, ele conseguiu atrair o olhar da pessoa admirada, mas não conseguiu juntar coragem para chegar perto, nem para mergulhar naqueles olhos negros e se perder para sempre. Até hoje ele não conseguiu coragem e segue os dias apenas admirando ao longe, com um olhar descrente de que vá conseguir algo mais que isso.
P.S: Pessoal o texto? Imagina.
Aquele rosto lhe era perfeito! Não só o rosto, mas foi o rosto que mais lhe chamou a atenção, pois era uma combinação perfeita entre os negros olhos como a noite pura, o nariz esculpido e o sorriso que iluminava a mente daquele solitário sonhador.
Ele decidiu admirar aquela obra de arte todos os dias até juntar coragem para dizer um simples "oi". Com toda essa admiração, ele conseguiu atrair o olhar da pessoa admirada, mas não conseguiu juntar coragem para chegar perto, nem para mergulhar naqueles olhos negros e se perder para sempre. Até hoje ele não conseguiu coragem e segue os dias apenas admirando ao longe, com um olhar descrente de que vá conseguir algo mais que isso.
P.S: Pessoal o texto? Imagina.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
O Inferno PT II - Eterno Fim
Após algum tempo, ela não mais foi torturada. Apenas sentou e ficou a observar a escuridão.
No vale dos mortos, aquela solitária alma chamava a atenção. Era uma das únicas a não ficar em agonia, gemendo ou chorando. Apenas ficava sentada, observando tudo com um olhar distante e vago; seus longos cabelos negros ficavam a mercê do vento, seu rosto delicado e belo tinha aquela expressão perdida com um leve sorriso sonhador. Tudo ao seu redor era cinzento, ela era cinza também.
As outras almas sentiam inveja por aquela linda mulher não esboçar reação alguma e não ser atormentada, enquanto as outras deveriam sofrer todo tipo de castigo e tortura por seus pecados. Dia após dia aquelas almas eram atormentadas fisicamente, exceto aquela menina. Será que esse era mais um castigo dos sofredores do vale da morte? Ter que ver uma alma sonhadora e em paz naquele lugar horrível fazia com que todos a odiassem e rogassem pragas, mesmo que nenhuma tenha efeito, apenas para aliviar o ódio. Mas o que eles não sabiam é que a solidão era o castigo imposto àquela alma: solidão, a certeza de que todos a odeiam e a incapacidade de se de se lembrar do rosto de seu amor verdadeiro era o pior castigo para aquela jovem que decidiu ir atrás do amante, mesmo que tivesse que ir ao inferno para isso.
P.S.: Não é o melhor texto que já escrevi, mas foi o que me inspirou a criar a saga toda.
No vale dos mortos, aquela solitária alma chamava a atenção. Era uma das únicas a não ficar em agonia, gemendo ou chorando. Apenas ficava sentada, observando tudo com um olhar distante e vago; seus longos cabelos negros ficavam a mercê do vento, seu rosto delicado e belo tinha aquela expressão perdida com um leve sorriso sonhador. Tudo ao seu redor era cinzento, ela era cinza também.
As outras almas sentiam inveja por aquela linda mulher não esboçar reação alguma e não ser atormentada, enquanto as outras deveriam sofrer todo tipo de castigo e tortura por seus pecados. Dia após dia aquelas almas eram atormentadas fisicamente, exceto aquela menina. Será que esse era mais um castigo dos sofredores do vale da morte? Ter que ver uma alma sonhadora e em paz naquele lugar horrível fazia com que todos a odiassem e rogassem pragas, mesmo que nenhuma tenha efeito, apenas para aliviar o ódio. Mas o que eles não sabiam é que a solidão era o castigo imposto àquela alma: solidão, a certeza de que todos a odeiam e a incapacidade de se de se lembrar do rosto de seu amor verdadeiro era o pior castigo para aquela jovem que decidiu ir atrás do amante, mesmo que tivesse que ir ao inferno para isso.
P.S.: Não é o melhor texto que já escrevi, mas foi o que me inspirou a criar a saga toda.
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