Piscar demoradamente... ficar milésimos de segundo em um sonho que, mesmo sendo tão curto, é bom. Sim! É bom! Por quê? Por que você estava nele, como um pequeno retrato ante meus cansados olhos.
Olhos... ter a sensação de que seus profundos olhos me encaram (mesmo eu estando tão demolido) traz o sentimento de segurança, calor e de estar sendo guiado para um futuro certo.
Pela primeira vez me sinto seguro, me sinto com algum objetivo em meio a esse caótico mundo, me sinto vivo! Talvez seja apenas uma gotícula de esperança derramada em meio ao amargo e negro composto aprisionado em meu coração. Não sei. Apenas desejo que essa mínima gota não tenha sido derramada por uma ilusão...
P.S.: Tenho certeza que não é ilusão! E que tudo dará certo!
P.S.²: Última postagem do ano. Dedicada a uma pessoa que tem feito com que eu tenha algum objetivo, que fez com que eu saísse da escuridão e que me deu forças para seguir em frente. Não há necessidade de revelar seu nome, pois esse nome faz parte unica e exclusivamente do meu coração.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Eterno Paradoxo
Você! Parado em frente à minha cama, com seus olhos fitando o mais escuro beco da minha mente, fazendo com que eu o deseje. Sua pele pálida reflete o intenso luar, iluminando ainda mais o meu quarto, maravilhando meus olhos.
Levanto-me e vou em sua direção. Pareço flutuar. Meu corpo está adormecido, assim como minha mente. De repente me vejo cara a cara com sua jovem e bem cuidada face e acordo do transe. Não quero fugir! Quero apenas me entregar a você! Abre a boca e percebo seus branquíssimos e perfeitos dentes e não paro de imaginá-los a perfurar minha pele. Você apenas sorri e se prepara.
Mesmo achando histórias desse tipo um tanto quanto ridículas, não deixo de me sentir como se levitasse perante sua presença. Não demore! Apenas finque seus dentes em meu pescoço! Torne-me um dos seus! Transforma-me em um dependente de sua vida! Leve-me para a escuridão por toda a agradável eternidade ao seu lado!
Muitos anos se passaram desde nosso primeiro contato, mas sinto que é chegada a hora de finalmente descansarmos desses corpos eternos. Em um abraço desprevenido, enterro uma estaca em seu coração e te observo se dividir em pequenos grãos levados pelo vento. Uma lágrima rola por minha face e sorrio pela última vez antes de me juntar novamente a você em um conto-de-fadas infernal.
P.S.: Uma luta para se manter vivo eternamente. Um segundo para deixar de viver. Um verdadeiro amor, que transcende o físico e permanece até mesmo nas chamas do inferno.
P.S.²: Segunda história de vampiro postada nesse blog.
P.S³: Dúvidas ou sugestões? Clique aqui e saiba mais!!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Curta 2: A Sociedade
Uma dama esbelta, esquelética, em um longo preto, encostada no batente da porta. Uma das mãos na cintura e a outra segurando um longo e fino cigarro recém-aceso. Olhar perdido, cabelos negros presos em um simples coque, boca entreaberta, garganta queimando pela generosa tragada daquela quente fumaça.
Com a mesma boca entreaberta, a sofrida moça expele a fumaça e sente a leve tontura que leva embora a sensação de peso em sua consciência. Na tentativa de se livrar daquilo que o mundo exige para se fazer parte dele, ela vendeu sua alma infeliz aos tentadores 20 demônios vendidos em qualquer buraco pelos exigentes donos do mundo.
P.S.: Tantos querendo se livrar do mundo, mas tentam pelos caminhos que o próprio mundo trilha.
P.S.²: Alguma dúvida ou sugestão? Clique aqui e saiba mais!
Com a mesma boca entreaberta, a sofrida moça expele a fumaça e sente a leve tontura que leva embora a sensação de peso em sua consciência. Na tentativa de se livrar daquilo que o mundo exige para se fazer parte dele, ela vendeu sua alma infeliz aos tentadores 20 demônios vendidos em qualquer buraco pelos exigentes donos do mundo.
P.S.: Tantos querendo se livrar do mundo, mas tentam pelos caminhos que o próprio mundo trilha.
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Um Quarto Tingido de Sangue
Triste fim: o corpo nu deitado na cama. Um banho de sangue: lençóis, colcha, travesseiro, todos em um tom vivo e fresco de vermelho, que impregnava o chão, as cortinas e o revólver caído.
O pavor estampado na face: uma mãe em prantos. A empatia: o padrasto a abraçar a mulher em um impossível conforto para aquela situação. A pergunta que não se cala: Por quê?!
Em meio ao desespero, só restou àquela mãe ajudar a recolher o corpo e, mais tarde, acompanhar as descobertas daqueles que desvendariam a história.
Com o tempo, uma certeza se tornou remota e uma suposição sem fundamento ganhou sólidos pilares: aquela vida foi retirada sem a devida permissão de seu dono. A antiga pergunta virou complemento de uma mais inquietante ainda: Quem?
Cada vez mais o desespero tomava conta daquela que era uma mulher radiante, capaz de fazer uma estrela se apagar em respeito à ela. O que antes era luz, se tornara a mais profunda escuridão.
Susto: um homens armados à sua porta. Rodopio: a verdade descoberta a faz desmaiar. Constatação: seu amado marido despiu e banhou em sangue sua amada filha. Confissão: não havia o que negar, apenas o que completar.
O sangue virgem fora derramado duas vezes, ambas à força, sem vontade de um dos envolvidos. Aquele monstro invadiu o não-tão-inocente quarto e realizou suas vontades com a jovem, já que a unica que poderia estar interessada nele foi garantir o futuro do fruto de seu ventre. Após a carnificina mental, removeu-lhe a alma antes da hora. Uma alma que em 17 anos apenas corrompera algumas outras sem se corromper por completo. Uma alma como a maioria das que existem nessa vastidão de horrores. Uma alma julgada e punida por quem não deveria possuir tal poder, assim como tantas outras.
P.S.: Não só revólveres, mas fósforos, mãos e diversas ferramentas são usados por tais "juízes" da vida. E tais "juízes" nem sempre são somente padrastos, podem ser os próprios pais mesmo. Ou os filhos, quem sabe?!
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Curta 1: O Coveiro
Odeio ter que cavar essa cova! Ainda mais sabendo para quem é! Dia após dia, hora após hora, não importa o que eu faça: eu sempre acabo por vir ao cemitério tirar um pouco mais de terra dessa vala. Mesmo quando estou em momentos felizes com meus amigos, familiares ou seja lá com quem ou o que eu esteja fazendo, sempre paro tudo e venho até aqui. Só tenho medo de acabar muito rápido, já que estou cavando minha própria sepultura!
P.S.: E todos fazemos isso. Uns tiram mais terra em menos tempo, outros tiram pouquíssima terra em muito tempo. Não importa, uma hora todos iremos deitar em nossas próprias sepulturas.
P.S.²: Achei interessante deixar assim, curto. Quem entende bem, não precisa de rodeios.
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P.S.: E todos fazemos isso. Uns tiram mais terra em menos tempo, outros tiram pouquíssima terra em muito tempo. Não importa, uma hora todos iremos deitar em nossas próprias sepulturas.
P.S.²: Achei interessante deixar assim, curto. Quem entende bem, não precisa de rodeios.
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sábado, 23 de outubro de 2010
O Lamento da Chuva
A pesada chuva que caia lá fora era observada por um pequeno garoto com olhos gulosos para pular a janela e ir se molhar na água gelada que precipitava. Ele era impelido apenas pelo pesado vidro que formava uma impenetrável cortina, separando o limitado mundo de sua sala e o infinito do lado de fora.
A casa estava escura, mesmo com a luz da sala acesa, e sombria com o característico ar depressivo de um dia chuvoso. A mãe, uma mulher de meia idade devastada pelo estresse de criar dois filhos, cuidar da casa e trabalhar, fumava tranquila na cozinha após lavar a louça e passar pano no chão. Era um de seus poucos momentos de descanso, já que estava de folga do serviço e o marido estava fora a trabalho.
O filho mais velho, um garoto aparentemente normal e feliz, estava em seu quarto... mas não estava dormindo ou estudando, estava desesperado! Não conseguia manter mais a calma e a serenidade, não conseguia mais ficar em paz consigo mesmo! Tudo era uma grande tortura e, como seus pais não acreditavam na baboseira que ele poderia realmente ter problemas, não se sentia mais à vontade para poder desabafar e aliviar sua mente.
Enquanto a chuva caia, o garoto deu um fim a todo seu sofrimento, ingerindo uma grande dose de um veneno de ação rápida. Com a intensidade da chuva, seus últimos suspiros não foram ouvidos. Somente restou à sua família lamentar por não tê-lo ouvido e aplicar o conhecimento adquirido no pequeno garoto de olhos gulosos pelo mundo lá fora.
P.S.: A solução dita mais estúpida é sempre a mais difícil. Seria uma espécie de contradição à ideia de que o caminho mais fácil nem sempre é o melhor?
P.S.²: Dias escuros e chuvosos sempre inspiram os pensamentos e sensações mais trágicos...
P.S.³: Alguma dúvida? Clique aqui e saiba mais!
A casa estava escura, mesmo com a luz da sala acesa, e sombria com o característico ar depressivo de um dia chuvoso. A mãe, uma mulher de meia idade devastada pelo estresse de criar dois filhos, cuidar da casa e trabalhar, fumava tranquila na cozinha após lavar a louça e passar pano no chão. Era um de seus poucos momentos de descanso, já que estava de folga do serviço e o marido estava fora a trabalho.
O filho mais velho, um garoto aparentemente normal e feliz, estava em seu quarto... mas não estava dormindo ou estudando, estava desesperado! Não conseguia manter mais a calma e a serenidade, não conseguia mais ficar em paz consigo mesmo! Tudo era uma grande tortura e, como seus pais não acreditavam na baboseira que ele poderia realmente ter problemas, não se sentia mais à vontade para poder desabafar e aliviar sua mente.
Enquanto a chuva caia, o garoto deu um fim a todo seu sofrimento, ingerindo uma grande dose de um veneno de ação rápida. Com a intensidade da chuva, seus últimos suspiros não foram ouvidos. Somente restou à sua família lamentar por não tê-lo ouvido e aplicar o conhecimento adquirido no pequeno garoto de olhos gulosos pelo mundo lá fora.
P.S.: A solução dita mais estúpida é sempre a mais difícil. Seria uma espécie de contradição à ideia de que o caminho mais fácil nem sempre é o melhor?
P.S.²: Dias escuros e chuvosos sempre inspiram os pensamentos e sensações mais trágicos...
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
Cigarros, Pornô e Rotina
Tão bom sentar na varanda do meu apartamento e fumar um cigarro enquanto observo aquelas simplórias e medíocres pessoas passando lá embaixo, cada uma com uma preocupação, um sentimento bom ou ruim. Há 25 anos que essa é minha rotina após um cansativo dia de trabalho. Quando eu me aposentar, se conseguir me aposentar, é capaz de eu ficar aqui sentada o dia inteiro, só pensando que eu deveria ter arrumado um namorado, ao invés de ir para a carreira de atriz pornô.
No começo foi muito bom, confesso. Eu transava com homens muito interessantes e exóticos. Eu realmente chegava ao orgasmo... Mas essa rotina me cansou, eu não conseguia mais me manter motivada para aquilo tudo; foi aí que descobri algo que me animava e deixava elétrica: a cocaína! Era só jogar o pó em cima da mesa, arrumar com qualquer tipo de cartão, mandar e pronto! Eu estava pronta para gravar umas três ou quatro cenas no mesmo dia! Mas nem tudo foi tão bom...
Após alguns anos, começaram a me jogar para cenas bizarras, afinal, uma velha drogada já não excitava mais as pessoas comuns, somente aos mais insanos, doentes e perversos. Até mesmo zoofilia eu já fiz! Agora só fico como coadjuvante, faço papel de sogra ou de alguém que morre por overdose ou nas mãos de traficantes, que me "estupram" antes de terminar o serviço.
Enfim, já terminei meu terceiro cigarro e vou tomar um banho enquanto degusto um uísque barato, pois é o que sobra para me fazer dormir melhor.
P.S.: As rotinas e bizarrices estão presentes na vida de qualquer pessoa. Em algumas, temos casos extremos, que rendem histórias ótimas apesar da tristeza.
P.S.²: Alguma dúvida? Clique aqui e saiba mais!!!
No começo foi muito bom, confesso. Eu transava com homens muito interessantes e exóticos. Eu realmente chegava ao orgasmo... Mas essa rotina me cansou, eu não conseguia mais me manter motivada para aquilo tudo; foi aí que descobri algo que me animava e deixava elétrica: a cocaína! Era só jogar o pó em cima da mesa, arrumar com qualquer tipo de cartão, mandar e pronto! Eu estava pronta para gravar umas três ou quatro cenas no mesmo dia! Mas nem tudo foi tão bom...
Após alguns anos, começaram a me jogar para cenas bizarras, afinal, uma velha drogada já não excitava mais as pessoas comuns, somente aos mais insanos, doentes e perversos. Até mesmo zoofilia eu já fiz! Agora só fico como coadjuvante, faço papel de sogra ou de alguém que morre por overdose ou nas mãos de traficantes, que me "estupram" antes de terminar o serviço.
Enfim, já terminei meu terceiro cigarro e vou tomar um banho enquanto degusto um uísque barato, pois é o que sobra para me fazer dormir melhor.
P.S.: As rotinas e bizarrices estão presentes na vida de qualquer pessoa. Em algumas, temos casos extremos, que rendem histórias ótimas apesar da tristeza.
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