sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Alma(s)

E o peregrino seguiu finalmente à grande metrópole para encontrar com seu destino ainda incerto. Caminhou por centenas de pessoas, passou batido por milhares de histórias de diversos tipos, mas nada o interessava, nada o tocava. Estava blindado em angústia e ansiedade. Seu corpo trêmulo não se acalmava, estava inquieto e despejava o suor frio da dúvida: será mesmo que todo o percurso e seus obstáculos foram dignos do que estava por vir? Ou tudo não passava apenas de uma grande ilusão? Só aquele momento poderia responder com toda certeza.
Após algumas horas, o corpo já trêmulo e molhado estava inundado e ressoava com os objetos ao redor. Não conseguia se conter perante o desespero e o medo; só queria que aquele momento acabasse logo, que tudo se revelasse e que as certezas se jogassem aos seus pés de uma vez. Em meio a espera, dois rostos conhecidos surgiram. Dois anjos da guarda se revelaram em meio à multidão. Dois anjos inebriados com a missão de acalmar um ser em polvorosa. E o fizeram bem. Conseguiram arrancar sorrisos inimagináveis àquela situação. Conseguiram, também, diminuir o desespero da espera. E resolveram caminhar um pouco em meio a multidão despreocupada e alvoroçada, parando próximos a vendedores ambulantes e suas quinquilharias diversas e bizarras, apenas para observar o caminhar das centenas de pequenas e brilhantes almas que ali passavam. E ali ficaram um tempo.
Eis que era chegada a hora de encarar a verdade há tanto esperada! Não dava mais para esperar: ou tudo se mostrava verdade, ou tudo desmoronaria definitivamente! E, após um pequeno aviso, eis que todo o cenário se desmonta. As pessoas e os anjos, agora, não passavam de pequenos borrões imperceptíveis, assim como os prédios e as tranqueiras dos ambulantes. Não haviam mais cheiros, gostos, pensamentos e nem dúvidas: o destino vinha direto em sua direção. O peregrino, que há pouco não conseguia se conter e precisava realizar gestos constantes para tentar, em vão, se acalmar, estava estático. A única coisa que conseguia fazer era fitar o par de olhos brilhantes que vinham em sua direção.
Um abraço. O mais caloroso e acolhedor abraço que alguém poderia receber foi entregue àquele que chegou a duvidar do destino inúmeras vezes. Um abraço que não era merecido após tantas falhas grotescas, após tantas desilusões e tanta dor causada. Um abraço que demonstrou que o destino não era implacável, apenas brincou com com a ambição e perseverança. Um abraço que serviu para dizer: você, após tantos anos, finalmente encontrou aquilo que procurava. Não precisa mais andar pelos vales sombrios ou caçar desesperos. Não precisa mais se sentir incompleto, pois a outra metade de sua alma está aqui finalmente, te abraçando como jamais fostes abraçado. Você, peregrino, está completo. Vá e seja feliz com um só, na companhia de seus inúmeros anjos da guarda espalhados por seu país. E não tema: tudo dará certo!
O encontro de duas almas que se completaram. O mundo fazia algum sentido ao peregrino finalmente. Mas tiveram que se separar mais um pouco dias após. Há muito o que se fazer antes que a união se faça de fato. Mas o peregrino está disposto a esperar o tempo que for, não importando se terá que esperar até uma próxima vida. E assim, duas almas se mostram apenas uma em um mundo de desesperança. E assim a jornada começa.

P.S.: E assim, na espera, tudo vira uma deliciosa bagunça.
P.S.²: Bom voltar depois de muito tempo parado.
P.S.³: Dúvidas? Clique aqui e saiba mais!

Um comentário:

Isolda Benício disse...

Espero ter esse mesmo fim/começo.

Vou dormir um pouco mais tranquila hoje. Obrigada, amor. <3
Te amo!